Tuesday, May 09, 2006

Como eu pensava...

Sobre o que é Apropriar e Adaptar

O que é apropriar? Está aí uma definição do dicionário Houaiss:

■ verbo apropriar transitivo direto, bitransitivo e pronominal 1 tomar para si, tomar como propriedade; arrogar-se a posse de; apoderar(-se), assenhorear(-se) 2 tornar(-se) próprio ou conveniente; adequar(-se), adaptar(-se)

Notem que a palavra adaptar-se aparece negritada. Estou investigando agora o conceito biológico de adaptar. Por enquanto vai o conceito em português, do mesmo dicionário:

Acepções■ verbo adaptar ajustar ou acomodar (uma coisa a outra)
2 fazer com que se acomode ou se ajuste à visão transitivo direto e bitransitivo 3 Rubrica: meios de comunicação. modificar (obra escrita) para torná-la mais de acordo com o público a que se destina ou para transformá-la em argumento ou roteiro de cinema, televisão, teatro, rádio etc. transitivo direto 4 Rubrica: música. Dar nova orquestração a (músicas já conhecidas), ger. para utilizá-las em apresentações ou espetáculos diversos bitransitivo e pronominal 5 tornar(-se) adequado a; acomodar(-se), harmonizar(-se) bitransitivo e pronominal 6 tornar(-se) apto a pronominal 7 demonstrar capacidade de ajustamento; acomodar-se, amoldar-se pronominal 7.1 ajustar-se a um ambiente, a um meio; ambientar-se Etimologialat. adápto,as,ávi,átum,áre 'adaptar, ajustar (uma coisa a outra)'; ver apt-; f.hist. sXIV adoptado (sic), a1632 adaptarHomônimosadaptáveis(2ªp.pl.)/ adaptáveis(pl.adaptável[adj.2g.])

Por quê estou preocupada com estes conceitos?

Primeiro, porque pretendo construir um conceito de apropriação da cultura tecnológica. Assim, é claro, preciso do conceito de "apropriar". Depois, surgiu em uma discussão em sala de aula, a expressão: "isso não é apropriar, mas adaptar..." quando eu disse que não consigo mais viver sem meu computador (é claro que há um certo exagero aí), e que sempre o estou atualizando, verificando novas maneiras de otimizá-lo, etc.

Fiquei na dúvida, pois para mim, se eu trabalho com computador, resolvo muitos dos meus problemas nele, eu apropriei da cultura tecnológica

14 Comments:

At 1:27 PM, Blogger APROCULT - Apropriação da Cultura Tecnológica said...

Penso ser este mesmo o caminho. Apropriar-se seria adaptar-se ao uso das técnicas e das tecnologias. Boa jogada, Marcia. Paulo

 
At 1:28 PM, Blogger APROCULT - Apropriação da Cultura Tecnológica said...

E FAMILIARIZAR? 2 Derivação: sentido figurado. tornar(-se) íntimo; habituar(-se), acostumar(-se) 3 Derivação: sentido figurado. perder ou fazer perder o medo 4Derivação: sentido figurado. tornar conhecido; difundir, vulgarizar ....... Se APROPRIAÇÃO é um processo,uma das etapas é a FAMILIARIZAÇÃO.Então volto a pergunta: ql o grau de influência que o design e o mkt tem sobre o tempo de apropriação de uma tecnologia por uma sociedade?
ELER

 
At 1:29 PM, Blogger APROCULT - Apropriação da Cultura Tecnológica said...

Acho "Acomodar(-se)" interessante também: TORNAR CÔMODO O QUE ERA ESTRANHO, assim como AMBIENTAR-SE.

ELER

 
At 1:29 PM, Blogger APROCULT - Apropriação da Cultura Tecnológica said...

Entao podemos falar em NÍVEIS DE APROPRIAÇÃO, onde a APROPRIAÇÃO PLENA seria chamada DOMÍNIO, o que vcs pensam a respeito?

ELER

 
At 2:29 PM, Blogger Simoninha said...

Olás!!!Antes de ler o que Márcia colocou, quero apresentar algumas idéias sobre Apropriação...

Considero o termo "apropriação" no sentido de aquisição, obtenção de algo. Dessa forma, quando a pessoa adquire um determinada cultura científica e/ ou cultura tecnológica (tendo em mente que estes englobam conhecimentos, tecnologias, modos de usar e ensinar esses conhecimentos ou essas tecnologias) pode-se falar em apropriação dessas culturas. Caso ela já seja parte do indivíduo não é apropriação, é somente cultura científica ou cultura tecnológica. De qualquer forma, pode-se falar em "enculturamento" ao se referir a apropriação e em "aculturamento" ao se referir a desapropriação. O que vocês acham??????

 
At 2:54 PM, Blogger Simoninha said...

Fico preocupada com o uso do termo TECNOLOGIA. Para mim, isso não representa somente um objeto concreto como um computador.
Como proposto no livro de GRISPUN:
"É importante ressaltar que a técnica moderna transformou-se em tecnologia, após o século XVIII, que etimologicamente recebeu o significado de razão do saber fazer (techné como saber fazer e logos como razão). Ela não se resume às máquinas, equipamentos e instrumentos ou mesmo à sua produção e ao seu uso. Caracteriza-se, de forma geral, como um conjunto de conhecimentos, informações e habilidades que provém de uma inovação ou invenção científica, que se operacionaliza através de diferentes métodos e técnicas e que é utilizado na produção e no consumo de bens e serviços". Penso que, ao criticar sobre o uso de uma tecncologia sem utilizá-la também significa apropriação da cultura tecnológica.

 
At 3:11 PM, Blogger ELER said...

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At 9:01 PM, Blogger Eler said...

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At 9:27 PM, Blogger ELER said...

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At 9:32 PM, Blogger ELER said...

Oi, Simone e demais

Concordo: tecnologia é produto mas também METODOLOGIA.

Mas penso que se um sujeito escolhe nao utilizar uma tecnologia conscientemente, sua atitude é de NÃO APROPRIAR-SE da mesma. Só porque ele escolheu não significa que ele tenha se apropriado. É uma recusa à apropriação.

Apropriar-se não resume-se a conhecer o objeto, mas submeter-se a ele. O último nível da apropriação seria então a DOMINAÇÃO, cujo atestado mais contudente seria a subversão do uso do artefato ou da metodologia em questão.

Acho que está havendo uma confusão de uso nos conceitos ALFABETIZAÇÃO TECNOLÓGICA e APROPRIAÇÃO TECNOLÓGICA.

Em posts anteriores, em outros blogs, chegamos a cogitar se os dois estágios seriam coincidentes.
Agora, após estudar bem mais o assunto e com ajuda das questões
levantandas pelos colegas, entendo que a alfabetização tecnológica é uma etapa do conhecimento do objeto pelo sujeito, embora não DETERMINE a APROPRIAÇÃO TECNOLÓGICA.

Só porque o sujeito é alfabetizado em uma tecnologia, não significa que vá apropriar-se dela.
E se não é nem alfabetizado, não há como apropriar-se da mesma.
Então concordo com Simone que a opção em escolher ou não a apropriação da tecnologia é sim um indicador da cultura tecnológica do sujeito.

 
At 9:33 PM, Blogger ELER said...

Então toda cultura de um indivíduo/sociedade é adquirida pelo processo da apropriação, já que a CULTURA é comportamento adquirido e não herdado geneticamente.

Ou também geneticamente?
Não é disso que trata A Evolução da Espécies, de Darwin?

Aí, Marcia seria intessante sim,
ver o conceito de ADAPTAÇÃO segundo
Darwin.

Mas vamos lembrar também que APROPRIAR-SE também refere-se, em último nível, acredito, a TER ALGO SOBRE DOMÍNIO.

O sujeito que domina uma tecnologia
pode subvertê-la, reapropriá-la.

Segundo André Lemos, os indicadores de uma apropriação tecnológica configuram-se no desvio de uso do artefato.

E que "Podemos dizer que a cibercultura nasce pela apropriação tecnológica."

Então parece ser necessário pensar mesmo em fases, níveis do processo.
Dividir para conquistar ;-)

 
At 7:33 PM, Blogger ELER said...

Para colocar mais lenha na fogueira de vocês, grupo:

André Lemos considera APROPRIAÇÃO como DESVIO de função do objeto.

Isto não consta no Houaiss...

 
At 12:34 PM, Blogger Cultura Tecnológica said...

Muito bom os comentários!!!

...Num aspecto mais estrito ao uso das tecnologias educacionais (computador, softwares, internet, AVA - Ambiente Virtual de Aprendizagem etc.), veja os estágios de habilidades descritos pela autora Kensky (2003, 79):

1º - Entrada => o indivíduo procura dominar a tecnologia e o novo ambiente de aprendizagem, mas não tem experiência necessária.

2º - Adoção => após "treinamentos" bem-sucedidos o indivíduo domina o uso básico da tecnologia.

3º - Adaptação => o indivíduo sai do básico para descobrir uma variedade de aplicações para o uso da tecnologia.

4º - Apropriação => o indivíduo tem domínio sobre a tecnologia e pode usá-la para alcançar vários objetivos instrucionais ou para gerenciar sala de aula. Já possui boa noção do hardware e das redes.

5º - Invenção => o indivíduo já é capaz de desenvolver novas habilidades de ensino e utiliza a tecnologia como uma ferramenta flexível.


O que vocês pensam sobre estas etapas?

Até breve,
Patrícia Alves

____________

KENSKY, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas, SP. Papirus, 2003.

 
At 9:32 AM, Blogger ECCT-VENTURA said...

Nossa, a coisa está ficando feia. Os passos descritos por Patrícia (vide Kensky) parecem ter alguma lógica. Mas estamos caminhando. Parece-me que já sabemos que existe uma diferença entre alfabetizar e apropriar e, talvez, adaptar-se de uma tecnologia. Preciso pensar um pouco mais nesses termos.
Paulo Ventura

 

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